A importância de conhecer o DEL

 25/01/2017

Ainda pouco conhecido pelos profissionais da saúde e da educação, o Distúrbio Específico de Linguagem (DEL) é um quadro de alta prevalência na infância, muito visível por dificuldades no desenvolvimento linguístico e que podem trazer consequências persistentes ao decorrer da vida desta criança.

Nos atemos a este tema esta semana leitores, pois visualizar problemas latentes do mundo da educação, propondo reflexões sobre os mesmos numa busca de dissolve-los é parte de nosso esforço. Entender melhor sobre este distúrbio é nosso esforço do post de hoje, entender mais sobre a responsabilidade que os educadores têm já no cotidiano dos primeiros passos de seus alunos na escola, lá na alfabetização.

O DEL é um patologia que acomete o processo de aquisição e desenvolvimento da linguagem, a criança não desenvolve linguagem como crianças normais. O que isto quer dizer? Que estas crianças escutam bem, enxergam bem, mas enfrentam problemas no momento específico da aprendizagem.

Quando a criança apresenta problemas de aquisição de linguagem, relacionados com a perda auditiva, por exemplo, ter um distúrbio especifico de linguagem pela perca da audição é esperado, afinal uma criança que não escuta dificilmente vai desenvolver comunicação como uma criança que ouve normalmente.

Já no caso específico do DEL, até a criança começar a falar e compreender coisas, ou seja, quando ela tem de estabelecer ainda que inicialmente uma relação direta de comunicação onde deve ser compreendida, dificilmente este distúrbio é diagnosticado, uma vez que ela se desenvolve normalmente em todos os outros aspectos, se trata de uma criança que se desenvolve como as outras, percebem o raciocínio?

A questão então é o que esta criança não acompanhada corretamente pode apresentar sob esta perspectiva: isolamento, problemas de relação social… as pessoas se relacionam pela linguagem, pela comunicação, usam a linguagem para isso.

Uma criança normal que faz tudo como as outras, porém quando vai falar seu desempenho é diferente dos seus pares, isso acaba provocando ao longo do tempo (6 ou 7 anos) uma tendência ao isolamento, a criança então distancia-se dos amigos, procura crianças mais novas pela facilidade do contato social e da comunicação pela fala.

Podemos observar de imediato, que se trata de um diagnóstico multidisciplinar. É o que os profissionais desta área chamam de um diagnóstico por exclusão, isto é, a criança apresenta um distúrbio na aquisição da linguagem, porém deve ser garantido para este diagnóstico específico de DEL, que a criança escute normalmente, que não possua problemas cerebrais e outras deficiências mais visíveis. O nome especifico DEL aparece então neste contexto, diz respeito especificamente a linguagem na ausência de qualquer outra patologia capaz de diagnosticar um outro distúrbio como a dislexia, por exemplo.

Se trata de uma patologia que é diagnosticada e tratada por uma equipe:

fonoaudiólogo +  neurologista + otorrinolaringologista e um psicólogo ou psicopedagogo.

Quanto a faixa etária, iniciam-se observações mais sérias quando a criança passa a manter estes sintomas comportamentais depois dos 5 anos, mesmo passando por reabilitação psicológica. É importante ressaltar então que outros distúrbios podem ser diagnosticados e tratados neste período chamado de reabilitação. Quando o diagnóstico não é feito precocemente e a criança chega na escola e não aprende a ler e a escrever, a tendência é ser diagnosticada como dislexia ou deficit de atenção, que já se tornaram verdadeiros clássicos principalmente nos processos alfabetizadores.

Na verdade Distúrbio Específico não é dislexia, esta criança tem um DEL, que vem acompanhando ela desde o início do processo de aquisição (2 ou 3 anos) e que passou despercebido, não houve atendimento correto para esta especificidade, é ai onde os quadros se confundem mesmo se tratando de quadros absolutamente diferentes em sua complexidade.

A fonoaudiologia participa de forma crucial desde a avaliação até o diagnóstico desta patologia,  sua função é uma avaliação de linguagem que garanta que esta criança não está se desenvolvendo normalmente, em que áreas da linguagem ela enfrenta problemas maiores, além de acompanhar de perto todo  processo de reabilitação inicial desta criança.

Há quem diga que para os males da cabeça não há remédio… de fato o DEL não tem remédio, infelizmente ainda não inventaram remédios para tratar da linguagem. Muito embora existam meios sólidos que a medicina  moderna encontra para lidar com estas patologias e é perfeitamente capaz de acompanhar um diagnóstico como esse, é importante ressaltar que solução do quadro vem através da reabilitação fonoaudiológica primordialmente.

Uma criança com del vai ter muita dificuldade para lidar com comunicação de forma geral, encontrar soluções verbais para seus problemas, por exemplo, nesse sentido o trabalho fonoaudiológico tem extrema importância. Tudo aquilo que é permeado pelo pensamento lógico (dedução, inferência, negociação) para uma criança com DEL é muito difícil, deste modo a criança busca outras soluções, se afasta do problema, as vezes agride o colega, enfim.

Pensemos o seguinte: em qualquer faixa etária as relações humanas se estabelecem pela comunicação oral (conversamos para nos entender, se tenho dúvidas pergunto, se tenho problemas converso para negocia-los) tudo isso para uma criança com este distúrbio é bem mais difícil, isso quer dizer então que esta criança ira ter dificuldades mais notáveis em tudo aquilo que envolve a resolução de conflitos, situações problemas para esta criança são então bem mais problemáticas.

Assim como o diagnóstico, a reabilitação é também multidisciplinar.

A família é um dos pilares principais para a recuperação desta criança, deve ser capaz de enfrentar o desafio diário de ser participativa, esta recuperação depende de uma parceria entre a fonoaudiologia +  família +escola, afinal a criança se insere no meio social via família e via escola. As relações entre comunidade escolar e profissionais da saúde se estreita cada vez mais, isto é mais visível no setor privado de ensino, é importante que isso não pare nunca e que permaneça em crescimento.

Vivenciar e acompanhar de perto esta criança é vital pela parte da família, os pais principalmente entenderem que esta criança  é como uma pessoa normal em termos intelectuais, isto é, auxilia-la, compreende-la acima de tudo sem excessos de proteção para que ela seja capaz de lidar com esta dificuldade da melhor maneira possível, não existe formula perfeita, o que existe é a busca por esta fórmula.

Nos atemos ainda neste raciocínio, a inserir considerações profissionais sobre o DEL, onde recortamos aqui aos leitores uma lista de sintomas ou sinais indicativos de um Distúrbio Específico de Linguagem apresentados pela Dra. Elisabete Giusti (Fonoaudióloga Infantil) em seu site Atraso na fala, confiram:

Sinais indicativos de um Distúrbio Específico de Linguagem: 
 O aparecimento da fala é lento ou atrasado;
 A compreensão pode ser normal ou pode estar alterada;
 Dificuldade em combinar palavras para formar frases;
 Presença de alterações fonológicas (troca de sons na fala);
 Presença de alterações morfossintáticas: não consegue estruturar adequadamente uma frase, dificuldade com verbos, preposições;
 Flexionamento verbal e nominal ausente ou inadequado;
 Dificuldade na organização seqüencial das palavras nas frases (inverte a ordem das palavras);
 Fala ininteligível – os familiares não conseguem entender o que a criança está falando;
 Vocabulário restrito – dificuldade para aprender novas palavras;
 Pode aparecer disfluências, como hesitações, repetições de silabas e de palavras (sinais parecidos com uma gagueira);
 Não conseguem relatar fatos, recontar uma história;
 Dificuldade para compreender piadas, duplo sentido;
 Apresentar sérias dificuldades para aprender a leitura e escrita – transtornos de aprendizagem;
 Se há problemas semelhantes na família;

Há um material incrível neste site e vale a pena dar uma passada:

http://www.atrasonafala.com.br/

Nossa intenção aqui é acima de tudo alertar nossos leitores para tudo que permeia o mundo da educação, apurar o olhar sobre o que nossos pequenos enfrentam neste começo de caminhada no rumo das linguagens é responsabilidade nossa sim e não podemos jogar debaixo do tapete ou achar que a escola é capaz de resolver isso sozinha. Não, um professor numa sala de aula pode ter um, dois ou até três alunos que apresentam problemas como estes e é capaz de visualizar isto no cotidiano, mas é também o mesmo professor que tem mais 20 ou 30 outros pequenos para cuidar, instruir e educar.

Pensem nisso leitores, estejam alerta, passem mais tempo com os seus filhos, sobrinhos, netos, afilhados.

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