Brincadeiras como Força para o Desenvolvimento da Criança

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09.07.2019

“É brincando que se aprende”

 

Você provavelmente já ouviu que “é brincando que se aprende” em algum lugar, correto? Pois bem, isso é mesmo verdade? Hoje buscarei provar por alguns pontos o porquê essa noção possui conexões outras quando nos debruçamos no meio educacional.

            As brincadeiras na natureza, por exemplo, servem de preparo aos animais para situações futuras de ‘conflito’ e de autonomia para a solução destes desafios, seja de caça ou de defesa própria contra outro predador, portanto, possuem extrema importância na formação e no desenvolvimento daquele filhote. No caso dos seres humanos, é também por meio da brincadeira que a criança desenvolve sua reflexão e sua criatividade, mergulhando cada vez mais sem perceber no processo educacional e facilitando a construção de sua autonomia, afinal, brincar envolve sociabilização, afetividade, contato com diferentes culturas, descoberta de novas emoções e o exercício físico, muitas vezes tudo isso ao mesmo tempo!

            Quando falamos em brincar, é importante ter a ressalva de que não se trata simplesmente de ‘recreação’, é algo que vá além disso, que envolva a criança numa comunicação consigo mesma e com a atmosfera escolar a sua volta, com o mundo a sua volta, afinal como bem aponta Vygotsky, o sujeito se constitui no outro, na relação com o outro, isso é a essência das brincadeiras na prática pedagógica.

            As possibilidades são infinitas, sejam nas crianças de zero a dois anos, onde os jogos de exercício são muito potentes, onde tudo é uma nova descoberta, do corpo, dos sentidos, das emoções, das imagens, o mundo é uma grande brincadeira de explorar e descobrir. Entre os dois e sete anos, a simbologia passa a exercer sua potência na criança, é onde os puppets ou fantoches entram em cena, é onde o mundo do faz de conta fica cada vez mais fascinante, é onde uma boa história contada pela professora rouba a cena dos vídeos do YouTube e pode marcar a vida de um aluno.

            Já com sete anos a criança passa a ter um entendimento maior sobre a noção de seguir regras, num mundo gamificado que vivemos hoje, jogos não são novidade para as novas gerações, porém, jogos que podemos julgar ultrapassados podem causar grande impacto, justamente por este distanciamento que existe e que insistimos em aumentar cada vez mais. Experimente você leitor e veja o resultado, no mínimo curioso seus alunos irão ficar com coisas como Escravos de Jó, um bom e velho STOP com a sala toda, um pula corda daqueles bem barulhentos, bolinha de gude, passa anel, lembram disso? Sim, eu concordo que a tecnologia pode ser também uma aliada neste processo, mas não em casos como estes citados acima, muitas vezes a tecnologia tem que ser deixada de lado também na brincadeira, Waldorf é muito cuidadoso com essa questão do uso demasiado da tecnologia nas brincadeiras, por exemplo.

            O que podemos supor de antemão, é que as brincadeiras são aliados importantíssimos para a prática educacional, porém, para brincar as crianças precisam primeiramente aprender a brincar, correto? Para que elas aprendam, as brincadeiras devem ser tratadas com cuidado na formação de professores e pedagogos, o que vemos atualmente é que não é simplesmente sobre descobrir ou não a tecnologia para este fim, mas os princípios norteadores da política educacional que estão a sua maneira engendrados, não provocarão mudanças no contexto educacional, é através da formação continuada que colheremos estes frutos, o primeiro passo é ensinar os professores a brincarem, percebem?

Ótima semana a todos.

 

Victor Gulart

 

 

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