Você sabia que o refeitório também pode ser um espaço pedagógico?

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06.05.2019

 

Hoje muito se discute sobre a importância de uma alimentação saudável, diversificada, orgânica, colorida, é isso que queremos ensinar para as crianças; mas será que o Brasil está cumprindo esta tarefa?

            Me parece que nosso caminho ainda é longo, mas podemos sim chegar lá. Já não é mais novidade nas conversas sobre educação no país, que estamos passando por mudanças grandes de perspectiva, é importante que no meio deste processo sejamos capazes também de começar a pensar mais sobre o espaço onde nossos filhos se alimentam diariamente no tempo que estão na escola, seja ela pública ou privada, na verdade boa parte das crianças faz a maioria das refeições diárias, na escola.

            Os relatórios da última fiscalização (2017) do TCESP – Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, ilustrou um número relevante de prédios sem condições adequadas de segurança para as crianças e alimentos vencidos em estoque, a operação foi realizada em cem escolas estaduais e municipais da Região Metropolitana. Alvará do corpo de bombeiros? 91% das unidades visitadas não possuem, alvarás de vigilância sanitária vencidos, as dificuldades são muitas, embora estas escolas guerreiras fazem o que podem na manipulação dos alimentos e conseguem seguir as determinações legais de higiene para a manipulação de produtos alimentícios, afinal a coisa tem que acontecer e a comida tem que sair, o Brasil tem fome de educação e fome de comida também!

            Com tantos problemas apresentados nos relatórios, sobra ainda menos tempo para pensar em coisas tão importante quanto as apontadas acima, a ergonomia deste refeitório, por exemplo, para os aluno do infantil isso é ainda mais relevante, educação integral então nem se fala. É preciso que ao mesmo tempo que buscamos superar problemas, sejamos capazes de refletir sempre como contribuir para um espaço pedagógico mais eficiente, que aconteça minimamente na medida do possível.

Um caso dramático apresentado pela pesquisadora Beatriz Goulart, pesquisadora do Grupo Ambiente Escolar da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é o patamar em que não há qualquer local adaptado e as crianças sentam-se no chão. O mais comum, porém, é a instalação de bancos e mesões no pátio, no mesmo local em que se brinca, e a falta de ações para que a refeição seja também um momento prazeroso.

            Isso não é difícil de fazer, não é um gasto comparado a reforma de um prédio, por exemplo, não se trata somente da necessidade das verbas virem para este gasto, mas de um gasto otimizado deste dinheiro quando ele é disponibilizado, o próprio TCESP informa sobre esta importância de otimizar gastos.

            Evoluir para um espaço pedagógico, passar a refletir sobre a atitude dos alunos no ato da refeição, conhecer o nome e a função dos alimentos, sua importância, criar um clima de acolhimento para a refeição, mudar da colher para o garfo e faca, são coisas que vão acontecendo na medida em que as condições mínimas para que isso aconteça, são oferecidas, é crucial observarmos isso cada vez mais de perto, a educação não evolui sozinha.

            Ótima semana a todos, é sempre um prazer.